Como é que não há dinheiro?’ questionam funcionários sem o 13.º salário

 


MAPUTO – A expectativa de um “novo ciclo” sob a liderança de Daniel Chapo sofreu o seu primeiro grande embate junto da classe trabalhadora. O anúncio oficial de que o Governo não dispõe de fundos para o pagamento do subsídio de Natal (13.º salário) referente a 2025 gerou uma onda de indignação entre professores, enfermeiros e agentes do Estado, que agora antecipam um cenário de endividamento para fazer face às despesas escolares e familiares de janeiro.

A Confirmação do “Cofre Vazio”

A declaração que desencadeou a crise partiu da Primeira-Ministra, Benvinda Levi. Confrontada com a ausência de prazos para o pagamento, a governante foi categórica ao afirmar que, até ao momento, a solução financeira não existe. “Quando tivermos uma solução, iremos informar. Até este momento, não há décimo terceiro salário”, sublinhou Levi, remetendo para a clareza da lei sobre a disponibilidade orçamental.

Entre a Sobrevivência e o Empréstimo
Para muitos funcionários, o 13.º salário não é um luxo, mas uma peça fundamental do planeamento anual.

  • Educação: Professores relatam que o valor seria destinado à compra de material escolar e despesas de deslocação para o novo ano letivo.
  • Saúde: Profissionais do setor admitem que a solução imediata será o recurso a empréstimos bancários ou informais, agravando o custo de vida das famílias.

“É um direito de cada funcionário”, desabafa Ancha André, profissional de saúde, questionando a prioridade dos gastos públicos ao notar que as altas esferas do Estado continuam a gozar de benefícios que não chegam à base da função pública.

Discurso vs. Prática: O “Fazer Diferente” em Questão

A frustração é amplificada pelo contraste com as promessas eleitorais. Durante a campanha, o Presidente Daniel Chapo defendeu a necessidade de “fazer diferente para alcançar resultados diferentes”. No entanto, para o professor Bágio Alinca, de Cabo Delgado, o cenário atual é uma repetição desgastante do consulado de Filipe Nyusi, marcado por pagamentos parciais, atrasos ou cancelamentos totais do subsídio.

A crítica central entre os funcionários é o silêncio prolongado do Executivo. Muitos questionam por que razão a impossibilidade de pagamento não foi comunicada atempadamente, permitindo que as famílias ajustassem as suas expectativas antes das festas de fim de ano.

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