MAPUTO – O processo de recrutamento para o 44.º Curso da PolÃcia da República de Moçambique (PRM) está no centro de um grave escândalo de corrupção. Denúncias recentes apontam para um esquema de subornos e tráfico de influências que permite a entrada de candidatos reprovados na Escola Prática de Matalane, em detrimento daqueles que alcançaram aproveitamento por mérito próprio.
O Mercado Negro das Fardas
De acordo com dados avançados pelo Canal de Moçambique, as vagas para a corporação tornaram-se objeto de transação num “mercado negro” de admissões. Os valores para garantir um lugar na lista final variam entre 50 mil e 150 mil meticais, um montante proibitivo que exclui cidadãos qualificados e favorece quem tem capacidade financeira para subornar oficiais e recrutadores.
Irregularidades de Norte a Sul
O fenómeno não é isolado e apresenta contornos alarmantes em várias provÃncias:
- Cabo Delgado: Candidatos que não passaram nas provas de seleção surgem, inexplicavelmente, nas listas oficiais para a formação.
- Maputo: Relatos indicam que jovens aprovados em todas as fases foram sumariamente substituÃdos após recusarem ceder à chantagem e ao pagamento de taxas ilegais.
Ameaça à Segurança Pública
A admissão de agentes por vias ilÃcitas levanta uma questão crÃtica: qual será o comportamento ético de um polÃcia que iniciou a sua carreira através de um crime de corrupção? Especialistas alertam que esta prática mina a confiança da população nas autoridades e compromete a qualidade da segurança pública no paÃs.
Até ao momento, o Comando Geral da PRM mantém o silêncio sobre estas alegações. A falta de uma investigação independente e de medidas punitivas sugere que o problema — que se arrasta há vários anos — está profundamente enraizado na estrutura de recrutamento.
Fonte: Moz Massoko
Canal de Moçambique
